Suite do jabá

 

Nelson Sargento se manifestou, num e-mail efusivo. Idem, o Zuza Homem de Mello, e muita gente boa. Agora, mais um capítulo: a Warner já se pronunciou sobre o jabá, fez seu mea culpa e jurou que não paga mais, nem oferece favores, nunca mais, para fomentar a execução dos seus artistas nos meios de comunicação. A ordem veio da Warner-mãe, a matriz. Estamos de camarote esperando para ver o futuro disso. Já pensou se todas as cinco grandes gravadoras, as tais majors, resolvessem gritar: "Não pagamos mais jabá, os canais de TV e as emissoras de rádio são concessões públicas!" Teremos artistas de qualidade, de vários segmentos, e o público vai decidir quem quer escutar no rádio, sem massificação emburrecedora! Os diretores de gravadora vão ter que entender mais de música que de marketing, vão ter que ouvir música e as fitas demo que recebem, vão contratar artistas novos e os programadores de rádio deixarão de ser meros intermediários. Vão ter que conhecer o que o mercado oferece, como já foi um dia...

Poderíamos passar o fim de ano ouvindo Imagine, a mesmice de sempre, mas desta vez com esperança de verdade no coração. E sonhos de um ano novo cheio de artistas diferentes, de vários segmentos, gravando seus discos e fazendo carreira, sem precisar vender milhões de cópias, com técnicos empregados, estúdios a todo vapor, casas de show de todos os portes, compositores fazendo carreira e escoando sua produção, selos sobrevivendo, iniciativas culturais independentes dando flores e frutos. Isso sim é que seria um milagre de Natal. É pedir muito, sim, mas já estamos começando a receber respostas...

publicado no JB dia 26/11/2005